sábado, 8 de junho de 2013

Prefiro carne moída.

Prefiro carne moída.

Como já apontava em meu perfil, gastronomia é um tema que muito me interessa. Então mais uma vez vamos explorar o assunto fome. A fome nos faz sentir um vazio imenso ou no bucho, ou na alma. Enquanto o bucho ronca a alma grita. A fome pouca nos faz ansiosos, a muita fome leva-nos ao desespero.

Mas não vamos pensar nisso, eu de verdade estou bem fortinho para um faminto. É mesmo difícil falar, posso melhor escrever, pois de boca cheia não é muito bonito, não é? Agora, enquanto escrevo, devorando um suculento cacho de uvas verdes, geladas na medida, divertia-me imaginando o cardápio perfeito.

Nutricionistas, “endócrinos” e nutrólogos todos irão ensinar, mostrar e demonstrar a importância da pirâmide nutricional como modelo de equilíbrio entre vitaminas e carboidratos, fibras e proteínas. Papo sério? Não.

Basta entender que enquanto umas nos saciam –as fibras- outras nos dão energia e entusiasmo –carbo. Vitaminas e proteínas nos protegem de doenças e fazem nossos músculos mais fortes. O “menu” ideal do guloso? Ah! Esse é fácil. Combina picanha com rondelli, yakissoba com... com... com nada, yakissoba já é tudo de bom sozinho.

No parque ou no cinema consumimos sorvetes e pipoca para alegria dos lipídios. Em férias “waffles” pela manhã compensam as tapiocas de todas as feiras. Na Jardineira, paraíso gastronômico, ficamos doidos por filé, na sanha por picanha e encantados por um carrinho mágico de tortas e mousses, bolos e pudins.


Na pizzaria, mais cedo ou não, peru com requeijão é uma sensação. Difícil dizer o que não é bom. Até em “fast food” esbanjamos delícias e calorias. Brócolis e pimentão com boa mão não cabe rejeição. Bom, você pode não acreditar, mas queijo branco e batata frita me embotam. Aí, nesse caso, quase prefiro carne moída. Argh...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Árvore caduca



João Wagner Galuzio

Recentemente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, liderando debates e ações para erradicação da fome no mundo, orientava que a adição de insetos na dieta humana poderia representar excelente alternativa como fonte de proteínas. Rápida, a imprensa trouxe reportagens sobre o já usual consumo desses bichinhos, em várias partes do mundo. 


No Brasil, um produtor de insetos como ingredientes de ração animal, exortou consumo dos miúdos animais e os classificou como iguaria. Até o Arnaldo Jabor, ilustre escritor e cineasta, encontrou oportunidade para apresentar suas considerações em sua crônica radiofônica diária. Estava surpreso com o preço do quilo de barata seca que, observou, de barato não tinha nada, posto que é vendido por preço superior ao de um quilo de bom filé. 


Esta celeuma me pareceu quase inócua considerando que, além da fome, a obesidade já é considerada como um dos mais importantes problemas de saúde pública mundial, inclusive aqui neste rincão do planeta. Infelizes e sedentários consumimos carboidratos de modo irracional, para compensar nosso frágil emocional.


Eu, como legítimo representante dos dependentes químicos de açúcar, enfrento dezenas de quilômetros de ruas e calçadas por semana, para queimar uns poucos gramas adiposos. Depois de exaustivos quarenta metros de caminhada, me surpreendo, muitas vezes absorto, concentrado para manter a disposição. Os primeiros metros são os mais dolorosos e claudicantes de todo o percurso. Então, sintonizo uma frequência de rádio numa minúscula geringonça eletrônica, ou gadget, que levo comigo. 

Enquanto mais uma vez ouvia na rádio, uma nova repercussão relativa aos deliciosos insetos, eis que piso em algo marrom, de consistência firme apenas o suficiente para perceber e sentir, no meu tênis limpo e novo, que esmaga o volume contra o piso irregular de nossas calçadas velhas, sujas e esburacadas. O cheiro resultante desse acidente pedestre é imediato e intenso. Depois de sacudir o calçado, vejo aquela biomassa se desprendendo, agora disforme. 


Depois de bastante esfregar o tênis no chão, ainda resta um pouco desta pasta nos sulcos da sola. Com a ajuda de um pequeno ramo de árvore retiro o que restava e, por impulso, levo o abjeto objeto ao nariz para sentir este perfume incomum. Embriagado pelo aroma ácido, embora suave, exulto. – "Que inseto, que nada!" Aqui está a alternativa muito mais interessante, e ao alcance de nossos pés. 


Continuo escalando, para desespero dos meus calcâbeos, a Brigadeiro Luiz Antonio, avenida bastante conhecida dos corredores de rua de todo o Brasil mas, com grande entusiasmo pela nova perspectiva nutricional. Aquela sintonia radiofônica parece agora mais um ruído da cidade. Acelero, para chegar logo em casa, pensando em consultar enciclopédias virtuais para confirmar, ou não, minha fantasia gastronômica, desviando das incontáveis novas amostras que quase cobrem o caminho em alguns pontos. Estão concentrados sob aquela árvore caduca, muito comum nas ruas de São Paulo, a hovenia dulcis, também conhecida, no sertão, como tripa-de-galinha.


Em casa, logo a pesquisa confirma e atesta a eficácia do que imaginava. Descubro páginas wiki e outras da ciência formal, unânimes acerca das propriedades nutritivas e até medicinais de minha vítima pegajosa e amorfa. Ora em trabalhos acadêmicos, ora em textos de grupos de pesquisa ou de institutos ecológicos, os autores destacam seu sabor aprazível e, informam: coletados no tempo certo têm textura carnuda. É excelente, dizem os especialistas, para se fazer geleia e estudam-na como opção de tratamento para o alcoolismo. 


Agora era inevitável, mais do que cheirar precisava provar. Saí à rua e peguei a primeira peça que encontrei, a poucos metros de casa, esmagando-a com as mãos. A sensação foi indescritível, aquele bagaço escorrendo por entre os dedos me fez sentir, com intensidade, a energia daquela fragrância. Na boca, o sabor doce explica porque é preferida por ratos e insetos, vetores que a contaminam. 


Em sua próxima caminhada não deixe de provar, tem muitos nomes, mas o mais popular é: UVA JAPONESA! Bom, a prosa é boa, mas preciso parar para ver o ponto certo de redução do caldo, a geleia está quase pronta.

Diversão e diversidade

Olá!

Sim eu sei que, dizendo olá, estou naturalmente confessando minha velhice jovial.



Se pretendesse outra coisa poderia começar com um básico: ae galera, blz?



Não. Eu quero bastante celebrar o meu crepúsculo refletindo algumas contradições que permeiam nossa vida urbana ocidental e, antes que se enganem, deixem-me esclarecer. Não! Eu não sou vampiro. Sou mesmo um bom tiozinho que, depois dos cinquenta anos percebe que, como as longas (e muito saborosas) tardes de outono, o horizonte é uma realidade cada vez mais próxima, não mais apenas aquela hipótese remota.



Isto pode soar nostálgico e depressivo, mas acreditem, de fato vivo cada minuto com esperança e entusiasmo. Pretensão não me falta, desejo fazê-las, as minhas reflexões, com humor (diversão) e de modo plural (diversidade). Acredito mesmo que seja possível superar questões centrais e "nervosas" com suavidade e leveza.



O meu nome, Hilário Delírio, reflete esta vocação de conversar de modo alegre e ao mesmo tempo doido, adequado para as confusões inúmeras que experimentamos todos os dias.



Atrevido vou abusar de trocadilhos e investigações etimológicas para estimular a prosa, ora em versos, ora em crônicas singelas e prosaicas do nosso cotidiano.



Espero que todos diletos leitores encontrem oportunidade para considerar novas perspectivas e deliberar por outros caminhos nesta nossa viagem.



Saudações ou, para os que têm menos de 30 anos: "Demorô? Fui."

Hilário Delírio